quarta-feira, 3 de abril de 2013

Resumo e breve analise de “Morte e Vida Severina” do autor João Cabral de Melo Neto




Uma grande obra nacional para refletirmos sobre a desigualdade social deste país.

Severino , o emigrante que sai da caatinga em busca de uma vida melhor no litoral , é o estereótipo do nordestino oprimido pela seca, pela fome e pela exclusão social . No caminho que faz, seguindo o rio Capibaribe para chegar até a cidade de Recife, Severino desfia um rosário metafórico de locais e fatos que trazem em comum o traço insigne da morte .
Neste percurso, marcado por pequenas tragédias locais que, encadeadas, apresentam um panorama duro e fiel da realidade do sertão nordestino, Severino vê se perderem suas singelas esperanças de encontrar um pouco de vida num lugar onde a morte é o mais marcante elemento da paisagem local.
Quando, finalmente, chega em Recife, percebendo que sua história não seria diferente da de seus irmãos severinos, o retirante pensa em antecipar seu inevitável destino suicidando-se nas águas do Capibaribe.
Entretanto, neste momento da narrativa, com o nascimento do filho de Seu José, Mestre Carpina, homem com o qual Severino falava a respeito do suicídio, o discurso muda de tom . Seu José, à revelia das condições desfavoráveis, faz um lírico e emocional elogio à vida .
Na fala do Mestre Carpina, observa-se um olhar de esperança (ainda que circunspecta) e de deslumbre (ainda que contido) diante da vida. Mesmo num lugar marcado pela morte e mesmo sendo o nascimento de seu filho a pequena explosão de uma vida certamente severina como a dele, Seu José não deixa de reconhecer a beleza do “espetáculo” da vida e da latente força transformadora da sua presença.
Percebemos, então, que o conflito apresentado no título da obra é dialeticamente abordado em toda a narrativa. Por exemplo, quando Severino busca vida , durante toda sua viagem, quem lhe acompanha é a morte . No entanto, quando o retirante pensa em se render ante domínio da morte, é subitamente despertado pela explosão de uma vida que traz em si toda uma carga de otimismo e esperança.
“Entretanto, apesar da fala otimista de seu José, as duas ciganas profetizam um futuro não muito feliz para seu filho. Pode-se depreender da fala duas ciganas que ‘o Severino será um massacrado, tanto na natureza quanto em sociedade'”. Portanto, se formos inquiridos sobre qual mensagem se encerra no texto de João Cabral, se de otimismo ou pessimismo, o mais prudente é optarmos pela ambigüidade, já que, como pudemos notar, esta obra se constrói a partir de contrastes e oposições .

 

 

Características de Morte e Vida Severina

o        Auto : representação popular, medieval, de cunho religioso, mas que trazia também elementos profanos como música, dança, cantorias, mímicas...
o        Auto dentro do Auto : dentro da encenação de Morte e Vida Severina, temos a representação de um auto natalino, de um presépio. Veja as analogias
o        Estrela-guia = Rio-guia 
o        Pastor(es) = Severino(s) 
o        Mestre Carpina = S. José

  • Seu filho = Menino Jesus
  • Mocambo = Presépio

Inspiração na Literatura de Cordel : O poema é simples.
Título: mostra o contraste apresentado pelo dilema do(s) Severino(s) que busca a vida em meio à morte no sertão (“de velhice antes dos trinta,/ de emboscada antes dos vinte,/ de fome um pouco por dia...”) e quando está prestes a se render à morte, depara-se com a “explosão de uma vida Severina ”.

Composição : a peça é constituída de 18 cenas, compostas de 1241 versos, em sua maioria, heptassílabos ou redondilha maior (cadência popular )
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